The Internet of Bodies
- Editorial
- 11 de ago. de 2020
- 2 min de leitura
Depois da Internet das Coisas (IoT) e da Internet da Energia (FREEDM), surge a Internet dos Corpos (IoB).
O nome, algo sombrio, encabeça o recente relatório divulgado pelo World Economic Forum e se refere ao uso da tecnologia vestível (wearable tech) para monitoramento da saúde e da localização dos seres humanos, que ganhou força durante a pandemia da Covid-19.

As iniciativas se multiplicam, o negócio evolui com rapidez, mas seu futuro é incerto.
Questões relacionadas com a privacidade, o uso político das informações e as regras de negócio do ecossistema de saúde são alguns dos aspectos que estão sendo discutidos pela sociedade, que deseja mais segurança, mas reluta, com razão, em abrir mão de sua privacidade e, em última instância, de sua liberdade.
O princípio básico da tecnologia é o mesmo da Internet das Coisas, onde sensores coletam informações sobre máquinas e se conectam a centrais dotadas de Inteligência Artificial para interpretar os dados e acionar os protocolos cabíveis.
A diferença, colossal, é que não estaremos tratando de máquinas cuja performance pode ser alterada por um comando, mas de seres humanos cuja liberdade de ser e agir, mesmo quando suas atitudes possam ser consideradas inadequadas por alguma autoridade, deve ser respeitada, assim como a privacidade de suas informações e atos.
"A liberdade de ser e agir deve ser respeitada."
O volume de dispositivos atualmente disponíveis e acessíveis para a população não é pequeno. Na categoria “não invasiva”, monitores de atividade física, smartscales, smartwatches e smartphones, redes Sociais e aplicativos das mais diversas naturezas, acessados com certa ingenuidade, coletam e compartilham, diariamente, informações pessoais de bilhões de pessoas.
Seja pelo desejo de ser moderno, pela praticidade ou pela necessidade (em casos médicos), os implantes de chips de identificação pessoal ou controle de dispositivos, ou de bio-monitores, estimuladores e órgãos artificiais conectados, levam a questão para outro patamar.
Os benefícios são grandes e reconhecidos, seja para o conforto da vida cotidiana, para a gestão de serviços públicos, para a segurança em vários contextos, para a saúde preventiva ou tratamentos orientados com precisão.
Mas os riscos e preocupações não são pequenos, começando pela segurança dos dados e passando pelo uso discriminatório das informações, pelos governos ou empresas privadas, com prejuízo para o indivíduo.
Tudo indica que trilhar esse caminho será inevitável, dada a dimensão dos benefícios.
O relatório do WEF aponta para a necessidade de se desenvolver estruturas de governança e políticas regulatórias abrangentes e adequadas, com participação direta da sociedade, de forma a minimizar os riscos e assegurar esses benefícios.
O tema é tratado em profundidade no relatório, que pode ser acessado neste link.
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